Ex-prefeito foi considerado pela PF o principal elo das fraudes da Operação Overclean

Classificado pela PF como o principal elo das fraudes investigadas pela Operação Overclean, como fartamente divulgado pela imprensa nesta sexta-feira (18), o ex-prefeito ACM Neto (UB), candidato ao governo baiano, foi ironizado pela vereadora Aladilce Souza (PCdoB), candidata a suplente do senador Jaques Wagner (PT): “Sujou para o amigo do Rei do Lixo!”. Uma referência ao envolvimento do empresário José Marcos de Moura, proprietário de empresas investigadas por contratos suspeitos com várias prefeituras, inclusive a da capital baiana, sem licitação.

Só entre agosto e dezembro de 2024 foram mais de 200 conversas telefônicas identificadas pela PF entre ACM Neto e Moura, incluindo um dia em que o grupo do empresário foi flagrado transportando malas com cerca de R$5 milhões em Salvador.

Espalhar a sujeira

Além disso, observa Aladilce, ACM Neto é amigo do ex-secretário de Educação nas suas gestões, Bruno Barral, um dos nomes mais presentes nas últimas apurações sobre a Overclean. Foi dele a indicação para o ex-titular da Smed ser contratado para o mesmo cargo em Belo Horizonte, onde os contratos suspeitos, também envolvendo o Rei do Lixo, somam R$80 milhões. Empresas de Alex Parente, outro amigo de Neto e de Moura, também estão sob investigação.

‎”E é essa pessoa que quer governar a Bahia, correndo o risco de levar toda essa sujeira, espalhada literalmente pelas ruas de Salvador, uma vez que é claro o descaso com a cidade das gestões do grupo político, do qual o prefeito Bruno Reis é liderado, para contratos com a administração estadual”, alerta a vereadora.

‎A Overclean, que apura suspeitas de fraude em licitações, organização criminosa e lavagem de dinheiro, pediu em janeiro deste ano, portanto antes do período eleitoral, autorização à Procuradoria-Geral da República para buscas em endereços do ex-prefeito, o que foi defendido pelo procurador-geral Paulo Gonet, para aprofundar a apuração e identificar outros envolvidos. As buscas só não foram formalizadas graças a outro considerado amigo, o ministro Kassio Nunes Marques, do STF, que negou o pedido da PF.

Autora: Monica Bichara

Mônica Bichara é jornalista, com atuação na política de Salvador, Bahia. Formada pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), iniciou carreira jornalística em veículos como o "Jornal da Bahia", cuja história de resistência a fascinava . Sua trajetória inclui experiências em redações e assessorias de comunicação, com foco em temas sociais e políticos. Além da atuação profissional, atua na militância social e em defesa do meio ambiente. Escreve para o blog Pilha Pura.

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