

Fotos: Reginaldo Ipê
Evento da Comissão de Reparação foi requerido por Eliete Paraguassu e dirigido por Marta Rodrigues
Entre os encaminhamentos apresentados na audiência pública da Comissão de Reparação da Câmara de Salvador, na manhã desta quinta-feira (22), sobre Racismo Ambiental na praia de São Tomé de Paripe, a vereadora Aladilce Souza (PCdoB) sugeriu a cobrança da descontaminação da praia, que há quase 70 dias convive com um líquido azul, de cheiro forte, que vem causando a morte de peixes, tartarugas e mariscos. O debate foi proposto pela vereadora Eliete Paraguassu (PSOL) e conduzido pela vereadora Marta Rodrigues (PT), presidente do colegiado. O líder da bancada da oposição, Randerson Leal (Podemos), também participou do evento.
“Os órgãos públicos da área ambiental precisam se envolver na busca pela solução do problema, porque a comunidade já está sofrendo as consequências deste crime ambiental e ocupacional, que não pode ficar impune”, declarou Aladilce.

Estado de Emergência
Outra sugestão foi a apresentação, pela bancada da oposição, de um Projeto de Indicação ao Executivo para decretação de estado de emergência na região, visando a liberação de recursos para indenização aos pescadores e marisqueiras. Aladilce ressaltou o envolvimento do Ministério Público na defesa da comunidade, e exibiu laudo técnico do Inema provando que a operação da Intermarítima envolvia substâncias prejudiciais ao meio ambiente marinho e à saúde das pessoas, motivo pelo qual a empresa foi interditada.
A versão da Intermarítima, de que não trabalha com os produtos que estavam provocando a mortandade de peixes e mariscos, e que por isso não teria responsabilidade com a contaminação, segundo a vereadora não se sustenta. Além disso, frisou, “é preciso apurar todas as hipóteses, inclusive a possibilidade da contaminação ser fruto da operação atual ou da anterior, a Gerdau”.

Exemplo em carne viva
A mesa da audiência contou com as presenças de Juan Medeiros, representante da Secretaria Municipal do Mar; Leísa Souza, que representou a secretária de Assistência e Desenvolvimento Social do Estado, Fabya Reis; Maria José, da Pastoral da Terra; Jocival Nascimento e Daniela Vasconcelos, líderes da comunidade, e Lazinho.
Maria José, da Pastoral da Terra, disse que o crime ambiental em São Tomé de Paripe é “um exemplo em carne viva de racismo ambiental”. Afinal, argumentou, autorizar o funcionamento de uma empresa que manipula produtos químicos, em uma comunidade tradicional, onde a economia gira em torno do mar, só pode ser proposital.


