Fotos: Antonio Queirós

Campanha sugerida por Aladilce Souza foi abraçada pelos colegas da Câmara

Com frases do tipo “Salvador contra o feminicídio: uma luta que também é nossa, de todos os vereadores” e “O compromisso começa aqui, na Casa do Povo, e é de TODOS”, os vereadores da capital baiana deram o exemplo e vestiram, literalmente, a camiseta roxa que simboliza o enfrentamento à violência contra a mulher, na abertura da sessão desta segunda-feira (23). Sugerida pela vereadora Aladilce Souza (PCdoB) e encampada pelo presidente da Casa, Carlos Muniz (PSDB), a campanha, que envolve todos os vereadores, tem o objetivo de conscientizar os homens sobre o feminicídio, que mata quatro mulheres por dia no Brasil. A campanha passa a ser veiculada também na rádio e TV Câmara Salvador.

A vereadora Marta Rodrigues (PT) fez a abertura da campanha no plenário. Para o presidente Carlos Muniz, todos devem estar unidos na luta contra o feminicídio: “A Câmara de Salvador, portanto, abraça essa causa pelo fim da violência que as mulheres, infelizmente, ainda sofrem diariamente”. E Aladilce alertou: “Na capital baiana foram 11 mulheres mortas em 2025 pelo simples fato de serem mulheres, por seus atuais ou ex-parceiros, pessoas com quem elas deveriam se sentir seguras. E o pior é que mais de 66% dos casos acontecem dentro de casa, 63% vitimando mulheres negras”.

Entre as mensagens gravadas por vereadores homens, alguns dados estatísticos que revelam a gravidade da situação: “Só no ano passado, 1248 homens assassinaram mulheres que diziam amar. Um crime que também é nosso se ficarmos calados”. “Em 2025, na Bahia, 108 mulheres foram mortas. Onze delas em Salvador. Aceitar calado é ser conivente”.

Depoimentos

Diversos vereadores gravaram depoimentos em apoio à campanha. A vereadora Débora Santana (PDT), por exemplo, conclamou os cidadãos a fazerem parte da luta, “fazendo a diferença na campanha contra o feminicídio”. Já a vereadora Marta Rodrigues ressaltou: “Parceiro, se ligue, fazer parte da campanha contra o feminicídio também é uma obrigação sua”. E Anderson Ninho (PDT) conclamou todos à luta. “Sem feminicídio. O compromisso começa aqui, na Casa do Povo”.

Em seu depoimento, o vereador Randerson Leal (Podemos) afirmou que, só no ano passado, 1.248 homens mataram mulheres. “O crime também pode ser nosso, se formos cúmplices”. E a parlamentar Isabela Sousa (Cidadania) disse que “respeitar as mulheres é um dever de todos. Não vamos ser cúmplices”. Téo Senna (PSDB) frisou que a cada dia quatro mulheres são mortas. “É nosso dever mudar essa realidade”, conclamou o parlamentar.

Hamilton Assis (PSOL) frisou que 103 mulheres foram mortas na Bahia em 2025. E onze delas só em Salvador. “Aceitar tudo isso é ser conivente”, pontuou. E Cezar Leite (PL) afirmou que mais de 60% das vítimas de feminicídio são negras. “E cabe a nós, homens, darmos um basta nesse terror”. Eliete Paraguassu (PSOL) revelou que 66,3 % das mulheres vítimas de feminicídio foram mortas em casa. “Isto é estarrecedor. Vamos à luta”, conclamou.

Cris Correia (PSDB) afirmou que 8 em cada 10 casos de feminicídios são cometidos por parceiros ou ex-companheiros. “Vamos tomar partido nessa luta”, frisou. Já a vereadora Roberta Caires (PDT) expressou a necessidade de mais políticas públicas e medidas protetivas de amparo às mulheres. “Basta de feminicídio”. Sílvio Humberto (PSB) pontuou que a Câmara de Salvador reafirma que o combate ao feminicídio é prioridade máxima.

Já Fábio Souza (PRD) frisou que “não daremos trégua aos agressores”. E disse que “pela vida das mulheres nossa luta é diária”. João Carlos Bacelar (Podemos) afirmou que toda mulher deve ser respeitada: “Diga não ao feminicídio”. André Fraga (PV) frisou que Salvador está unida contra o feminicídio “pelas nossas mulheres, mães e amigas” e Daniel Alves (PSDB) pontuou que “nossa cidade só terá paz quando todas as mulheres se sentirem seguras na rua e em casa”.

Paulo Magalhães Júnior (União) afirmou que a beleza de Salvador está no sorriso de suas mulheres e não em suas lágrimas. Felipe Santana (PSD) frisou que “o lugar de mulher em Salvador é onde ela quiser. E viva”. Claudio Tinoco (União) afirmou que o grito de resistência da mulher negra é um basta contra a violência. Jorge Araújo (PP) enfatizou a cultura de alegria de Salvador: “A violência é que nos envergonha”. E Kiki Bispo (União) disse que “Em briga de marido e mulher, a gente salva a mulher. Ligue 180”.

Sandro Filho (PP) afirmou: “Não espere o pior acontecer. A denúncia é o primeiro passo para a liberdade”. Já Marcelle Moraes (PV) afirmou que “homem de verdade não levanta a mão, estende o braço para apoiar”. George Gordinho da Favela (PP) pontuou que “o machismo mata, saia dessa antes que seja tarde”. David Rios (MDB) afirmou que o amor não aprisiona, machuca e mata: “O amor cuida”. Kel Torres (Republicanos) afirmou que educar um filho para respeitar as mulheres evita o feminicídio amanhã.

Já Ricardo Almeida (DC) frisou que a Câmara de Salvador é escudo e voz para as mulheres da nossa terra. “Aqui, não passamos a mão na cabeça de agressores. Entendemos que o homem protege, não agride. O homem valoriza, não expõe. E levanta e não humilha. Nós acreditamos dessa forma e aqui estendemos a mão para todas as mulheres da nossa cidade. Que Deus as abençoe”, afirmou o vereador. Marcelo Guimarães Neto (União) disse que ciúme não justifica violência.

Já o vereador Hélio Ferreira (PCdoB) alertou: “Atenção mulheres, não aceitem o primeiro empurrão. Procurem ajuda e a rede de proteção.” E Omarzinho Gordilho (PDT) afirmou que violência contra mulher é crime e que crime se paga com justiça. Orlando Palhinha (União) deu um recado: “Mulher, sua vida importa mais que o medo. estamos com você”. Finalizando os depoimentos, o vereador Kênio Resende (PRD) afirmou: “Salvador na luta contra o feminicídio, essa luta também é nossa”.

Autora: Monica Bichara

Mônica Bichara é jornalista, com atuação na política de Salvador, Bahia. Formada pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), iniciou carreira jornalística em veículos como o "Jornal da Bahia", cuja história de resistência a fascinava . Sua trajetória inclui experiências em redações e assessorias de comunicação, com foco em temas sociais e políticos. Além da atuação profissional, atua na militância social e em defesa do meio ambiente. Escreve para o blog Pilha Pura.

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