Imagens: Ângela Ramos

Ao cumprir sua missão fiscalizadora na montagem das estruturas do Carnaval de Salvador, a vereadora Aladilce Souza (PCdoB), líder da bancada da oposição, denunciou nesta quarta-feira (28) a volta da chamada “Passarela do Apartheid”, ligando camarotes privados ao Morro Ipiranga, para uso exclusivo dos seus foliões e artistas contratados. “É um retrato vergonhoso da política racista de segregação que é praticada em Salvador. É lamentável que a prefeitura autorize um equipamento desse”, reagiu.

Ela destaca que, além dos impactos ambientais e paisagísticos, a passarela “naturaliza a ideia de uma cidade excludente e feita para poucos, indo na contramão do que o nosso carnaval é (ou deveria ser): um espaço público, onde todas as pessoas dividem o mesmo espaço”.

Aprofunda a desigualdade

Ao avistar a estrutura já montada, no circuito Barra/Ondina, Aladilce protestou: “No Carnaval de 2025 o prefeito Bruno Reis autorizou a construção de uma passarela saindo aqui do Morre Piranga para o Camarote Glamour para ser usado pelos foliões que não gostam de se misturar com o povo. Nós estamos agora às vésperas do Carnaval de 2026 e olha novamente a passarela do Apartheid armada. Para além de ofender o nosso patrimônio paisagístico, cultural e ambiental, ela é símbolo de segregação”.

E completou: “O prefeito está incentivando a segregação. Uma cidade que já é segregada, aliás, a gestão do Bruno Reis tem se caracterizado por aprofundar desigualdades. Ele tira dos pobres para dar para os ricos, aumenta a tarifa de ônibus, de PTU e taxa de lixo e ao mesmo tempo concede subsídios milionários para empresários do transporte, reduz pelo terceiro ano consecutivo o imposto de ISS para os camarotes. Então, é uma prefeitura que em vez de gerar, de promover a redução da desigualdade, aumenta a desigualdade social. Portanto, nós não podemos naturalizar esse símbolo do apartheid, nós não podemos naturalizar essa segregação. Essa passarela é uma vergonha para o nosso carnaval”.

Autora: Monica Bichara

Mônica Bichara é jornalista, com atuação na política de Salvador, Bahia. Formada pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), iniciou carreira jornalística em veículos como o "Jornal da Bahia", cuja história de resistência a fascinava . Sua trajetória inclui experiências em redações e assessorias de comunicação, com foco em temas sociais e políticos. Além da atuação profissional, atua na militância social e em defesa do meio ambiente. Escreve para o blog Pilha Pura.

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