“Ele vai passar para a história como o prefeito das sombras”, rebateu

“É lamentável que um prefeito use termos tão chulos para se referir à fala de vereadores, ou de qualquer outra pessoa. É incompatível com o cargo que ele ocupa e as pessoas que ocupam cargos precisam ser referência de comportamento, de atitude. Essa expressão que ele usou, de que a gente devia olhar pro próprio rabo, fala muito mais sobre ele, sobre a postura dele como gestor que não respeita os outros poderes. Como também não respeitou, e ignorou, recomendações do Ministério Público contrárias à aprovação desses mesmos projetos que nós criticamos, e votamos contra, por usurpar prerrogativas da principal lei da cidade que é o Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano”. Com esse desabafo a vereadora Aladilce Souza (PCdoB), líder da oposição na Câmara de Salvador, rebateu, nesta quinta-feira (23), o “deboche” do prefeito Bruno Reis em relação aos votos da sua bancada, na sessão de quarta-feira (22).

Ela reafirmou que o prefeito dificultou a apreciação das matérias pelo Legislativo, ao enviar “um pacotão com vários projetos complexos, a partir de agosto”. As proposições, segundo Aladilce, se fossem discutidas com as exigências legais, levariam mais de um ano em tramitação. “A expectativa dele é que não tenha mesmo debate. Se ele quisesse transparência, já teria iniciado o processo de revisão do PDDU, uma vez que a maioria desses projetos são temas do Plano Diretor. É evidente que ele mandou tudo junto na perspectiva de encurtar os prazos”, argumentou.

Quanto aos projetos 175 e 424, por exemplo, a líder da oposição denuncia a falta de estudos técnicos e outras exigências para o entendimento de matérias que, entre outras coisas, permitem alterações em áreas de preservação, nos gabaritos de construção na orla e no sombreamento das praias.

“O Plano de Saneamento mesmo, passou por audiências públicas promovidas pela própria prefeitura, mas a proposta inicial foi modificada na Câmara e não tivemos tempo de analisar os impactos de todas as emendas. O da Cidade Inteligente também altera o PDDU, exigiria uma ampla discussão com a cidade”, aponta Aladilce.

A falta de transparência, segundo a vereadora, tem sido a principal marca da gestão de Bruno Reis: “Ele, de forma debochada, manda a oposição olhar para o rabo. Pois nós sugerimos que ele olhe para a frente, pois vai passar para a história como o prefeito das sombras”. E complementa: “Tudo nessa administração é nebuloso, escondido. E o povo da cidade está vendo isso, está acordando e querendo dialogar, influenciar nos destinos da cidade. Não dá mais para aceitar que Salvador não tenha um Conselho das Cidades instituído, nem outras formas de controle social”.

Autora: Monica Bichara

Mônica Bichara é jornalista, com atuação na política de Salvador, Bahia. Formada pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), iniciou carreira jornalística em veículos como o "Jornal da Bahia", cuja história de resistência a fascinava . Sua trajetória inclui experiências em redações e assessorias de comunicação, com foco em temas sociais e políticos. Além da atuação profissional, atua na militância social e em defesa do meio ambiente. Escreve para o blog Pilha Pura.

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